Comércio Exterior Brasileiro em risco?

Comércio Exterior Brasileiro

Diante do cenário mundial em que estamos atualmente, com uma pandemia ativa e um conflito econômico entre duas potencias mundiais, precisamos discutir a importância da diplomacia comercial brasileira para lidar com ambas as situações.  Desde o início da década de 1990, a diplomacia vem mostrando seu papel, começando com os trabalhos na fundação do Mercosul (1994), a adesão do Brasil à OMC (1995) e na expansão de outros acordos comerciais.

Os países asiáticos, médio-orientais e europeus tornaram-se a grande plataforma de absorção de nossa capacidade produtiva. O escoamento da base agrícola de produção reposicionou o Brasil em condição privilegiada no embate global por acesso a mercados. Como já falamos aqui no Comex Na Prática, os EUA e a China continuaram na dianteira como os nossos maiores parceiros comerciais, seguidos pela Argentina, nosso vizinho sul-americano. Historicamente, a diplomacia brasileira conseguiu uma reputação internacional e expandiu sua atuação global.

No entanto, atualmente, a nossa diplomacia tem trabalhado aquém do seu verdadeiro potencial. As atuais propostas de mercado (mais fechado e protecionista), somada a falta de adaptação às exigências do mercado para aumentar a competitividade global, não permitiram ao Brasil ampliar sua fatia no mercado global.

O Brasil soube sempre harmonizar de forma equilibrada o seu discurso diplomático com as suas principais prioridades comerciais. Porém, hoje em dia, ambos andam em descompasso. Durante a crise atual, houve ataques do governo a alguns dos principais parceiros do Brasil, como a China e Argentina e não foram vistas as estratégias para conter possíveis danos colaterais. O país está carente de estratégias de política externa, expõe a economia nacional, o próprio PIB, os trabalhadores do setor produtivo e as empresas. As empresas que andam bastante apreensivas quanto ao rumo que a Economia pode tomar e sem conseguir prever ou mensurar como serão cumpridos os contratos, se será possível preservar mercados e até mesmo prospectar novos. 

A diplomacia comercial é essencial para o bom funcionamento do Comex no país. Dados do Governo indicam que para cada US$ 1 que o Brasil exporta para os Estados Unidos, são exportados mais de US$ 6 para a China em produtos do agronegócio. Além disso, a China adquiriu 73,4% da soja em grãos exportada pelo Brasil para o mundo nos primeiros meses de 2020. Em relação ao ano passado, houve crescimento de 26,2% nas exportações.

A relação Brasil x China mudou bastante nos últimos dez anos e hoje, os asiáticos são nosso maior parceiro comercial. Como já disse em um dos vídeos, a China ocupa o primeiro lugar tanto na lista de maior comprador de produtos brasileiros, quanto na lista de países que o Brasil mais compra produtos. O cenário de Guerra Comercial da China com os Estados Unidos é preocupante, já que os norte-americanos são o nosso segundo maior parceiro. É preciso uma postura diplomática concisa para que a relação com nenhum dos dois gigantes seja afetada, trazendo reflexos econômicos para nós.

O confronto diplomático com alguns países da União Europeia, outro parceiro econômico importante, já mostra seus resultados. Foi registrado em 2020 que as participações brasileiras tiveram recuo de quase 7%.

As medidas tomadas pelo Governo Brasileiro durante a pandemia, também tem desagradado as demais nações mundiais e também aos órgãos da ONU (Organização das Nações Unidas), como a OMC e OMS. O Brasil tem agido de forma contrária a maioria dos outros países, inclusive os nossos vizinhos da América do Sul, com relação às políticas de combate ao novo Coronavírus. E atualmente, temos sofrido com o avanço rápido da doença, deixando o Brasil entre os países com maior número de mortos e infectados. As relações internacionais são motor do Comex e os desgastes atuais podem comprometer ainda mais as atividades do setor no país, além do tanto que já estamos sofrendo como efeito da crise. Está na hora do Brasil repensar suas estratégias diplomáticas para salvar em alguns casos, ou manter em outros, as relações comerciais com os países e blocos comerciais.

Nathalia Amorim
@comexnapratica

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