Nova Guerra Fria?

Estados Unidos e China

Definitivamente 2020 é um ano que ficará marcado para sempre em nossas memórias. Não bastando a crise mundial reflexo da pandemia do novo Coronavírus, a Guerra Comercial envolvendo Estados Unidos e China, as duas maiores potências do mundo atualmente, ganha novos capítulo (tensos, inclusive) a cada dia.

Essa Guerra Comercial, que nada mais é do que uma disputa econômica entre os dois países, nos remete ao período de 1939 a 1945, período em que os Estados Unidos ficaram em Guerra Fria com a antiga União Soviética, também pela superioridade mundial. Naquele tempo, o conflito envolveu não só o domínio econômico e diplomático, mas também a conquista de zona de influência e as ideologias seguidas por cada lado, os Estados Unidos com o Capitalismo e a União Soviética com o Socialismo.

Estamos vivendo uma nova Guerra Fria?

De volta aos dias atuais, fazendo um breve apanhado histórico, o conflito entre Estados Unidos e China envolve o aumento das tarifas norte-americanas impostas aos produtos chineses importados. O início formal se deu em julho 2018, porém as tarifas sobre produtos chineses entraram em vigor quando o presidente Donald Trump foi eleito, em 2016. Segundo ele, o objetivo era estimular a compra de produtos nacionais, aumentando assim a criação de empregos. Porém a situação começou a ficar mais tensa, quando em 2018 foram aplicadas as novas tarifas alfandegárias, aumentando em 25% o imposto para diversos produtos chineses, principalmente os tecnológicos. Essa medida levou os chineses a gastarem cerca de 34 bilhões de dólares e, em resposta, a China também tributou os produtos americanos.

Essa movimentação afetou a economia do mundo inteiro e, também em 2018, houve tentativa de firmar um acordo durante a reunião do G20, na Argentina. Foi anunciada uma trégua e iniciou-se uma negociação de 90 dias. O objetivo era tentar evitar ainda mais danos nas relações comerciais dos países.

Em maio de 2019, já nas vésperas da conclusão das negociações, Trump anunciou um novo aumento nos impostos alfandegários – que até então, após algumas reuniões de negociação, estavam em 10% – para 25%. Houve nova represália da China, que também aumentou os impostos e não cumpriu a promessa – também acordada em reuniões anteriores – de aumentar as importações de produtos agrícolas e energéticos norte americanos.

Em agosto de 2019, a disputa chegou a impactar o campo cambial, quando a China, em reação a uma nova rodada de tarifas americanas, desvalorizou fortemente sua moeda, o Iuan. O secretário americano do Tesouro, Steve Mnuchin, na ocasião, chegou a acusar o governo chinês de manipulação. Essa queda cambial teria tornado os produtos chineses mais atrativos. No entanto, o impacto foi sentido mundialmente nas bolsas de valores, em especial, os países asiáticos.

Desde então, foram feitas inúmeras tentativas de acordo, novas ameaças, negociações e tréguas. No entanto, a situação ainda não teve uma solução definitiva. Em dezembro de 2019, ambos os países concordaram em suspender as novas tarifas.

No fundo, essa guerra comercial trata-se de uma disputa entre a China e os Estados Unidos nos últimos anos para o status de maior nação do mundo. O conflito preocupa economistas de todo o mundo, desde o início do ano de 2018.

Como esse conflito afeta o resto do mundo? No ecossistema da economia mundial, todas as variáveis estão interligadas. Assim, um grande impacto no setor alfandegário, por exemplo, pode corresponder a um choque no mercado de ações. Quando a China anunciou a desvalorização de sua moeda, bolsas de valores no mundo inteiro fecharam em forte queda.

A guerra comercial coloca mercados internacionais sob grande pressão. Espera-se que o aumento das taxas signifique queda na produção industrial o que, por sua vez, representa queda nos lucros do setor. Um país que produz menos também compra menos commodities, que são responsáveis por boa parte da exportação de diversos países, tornando o cenário ainda mais preocupante.

Como pode afetar o Brasil? Assim como os outros mercados globais, nossa economia pode sofrer com as repercussões da guerra comercial. Já falamos aqui no canal sobre a lista dos maiores importadores de produtos brasileiros e, China e EUA ocupam, respectivamente, o primeiro e segundo lugares.

Uma redução das atividades econômicas chinesas, por exemplo, pode provocar uma diminuição das importações realizadas pelo gigante asiático. A China é responsável por quase 30% de todas as exportações brasileiras. Os Estados Unidos, por sua vez, ficam em segundo lugar na lista de melhores parceiros comerciais do Brasil. Eles são responsáveis por cerca de 11% das nossas exportações.

Entretanto vale ressaltar que, desde o início da guerra comercial, as exportações do Brasil para a China cresceram, já que a China, por exemplo, deixou de comprar produtos norte-americanos, como a soja. 

No atual conjuntura, a Fase 01 do acordo que começou em dezembro de 2019, atualmente, encontra-se com seus textos em revisão e os Estados Unidos anunciaram que as negociações para a Fase 02 já estão em andamento. Porém, nenhuma data para futuras conversas foi definida ainda.

A cada semana o cenário desse conflito é atualizado. No último dia 14, o presidente da OMC (Organização Mundial do Comércio), Roberto Azevêdo pediu demissão e, especula-se, que o motivo seriam as pressões dos Estados Unidos contra ele e a Instituição. Ontem, dia 19, o presidente Donald Trump ameaçou novamente retirar os Estados Unidos da OMC e OMS, como represália pela falta de apoio. Por fim, a China pediu da repressão norte-america a Huawei, depois que Washington anunciou novos controles de exportação para limitar o acesso da gigante chinesa à tecnologia de semicondutores. As medidas  buscam tirar a Huawei do mercado global, pois o governo americano considera a empresa uma ameaça para a segurança nacional. Seguimos aguardando as novas cenas e até onde chegará esse conflito.

Nathalia Amorim
@comexnapratica

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